21 de janeiro de 2010

Usos, Costumes e Doutrinas

Quando olhamos e comparamos as grandes religiões que surgiram ao longo da história da humanidade, observamos que elas têm muitas coisas em comum. A grande maioria das grandes religiões do planeta procuram dar aos que as seguem paz, conforto para a alma, equilíbrio entre matéria e espírito, encontro e relacionamento com um Ser superior. Algumas, mais recentemente, anunciam a prosperidade material como uma das virtudes desejáveis e como um sinal de autenticação na vida do fiel.

Filosofia de vida
Como filosofia de vida, isto é, as religiões como regra de conduta moral e social são todas muito parecidas entre si. Que diferença tem o cristianismo do budismo como filosofia de vida? Pouca, ou quase nenhuma! Que diferença tem o kardecismo do catolicismo como filosofia de vida? Pouca também, ou quase nenhuma!
E qual a diferença fundamental do cristianismo em relação às demais religiões? Ou, por que o cristianismo pode arrogar para si o título de religião autêntica do único Deus que habita os céus? Há algum elemento no cristianismo que o distinga tanto assim das demais religiões universais? Que elemento é esse?
O cristianismo, tal como encontramos nos evangelhos, pode ser visto como uma boa filosofia de vida; você pode adotar o cristianismo como regra de vida, modo de conduta e base para seus relacionamentos sociais. E vai ser bom para você. Mas o que a Bíblia anuncia desde o Antigo Testamento até ao último livro do Novo Testamento é a preocupação de Deus com a salvação e a eternidade da alma do homem: onde você passará a eternidade após a sua morte física?

Eternidade

Não vou descrever com minúcias o pensamento de cada uma das grandes religiões, pois não é este o objetivo deste estudo. Mas o que as religiões asseguram aos seus fiéis sobre a vida após a morte nunca pôde ser comprovado nem verificado na prática. Que provas há da reencarnação? Quais evidências de que após a morte vamos para outro planeta ou reencarnaremos em outras pessoas, animais ou insetos, como crêem os Hare Krishnas?
Mas, e o cristianismo, que evidências ou que provas ele apresenta a seus seguidores? Uma evidência muito contundente: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos”. (Atos 17.31)
O que a Bíblia está dizendo aos seus leitores e seguidores é que o próprio Deus quis que as pessoas tivessem certeza daquilo que aconteceria a elas após a sua morte, caso elas cressem em Cristo e no evangelho. E para que tivéssemos essa certeza, ele, Deus, ressuscitou a Cristo, como todos sabemos. É um fato; a história se divide em “antes de Cristo” e “depois de Cristo”. Os manuscritos são descobertos e sua veracidade é comprovada por peritos. Mas ainda há a nossa fé, que é bastante para que creiamos no que lemos na Bíblia.


As bases da nossa fé

São várias as passagens que apontam e descrevem a morte e ressurreição do Mestre. E todos os efeitos da obra de Cristo estão baseados nestes elementos: sua vida, morte e ressurreição.
Tudo o que aconteceu nos anos e séculos posteriores a Cristo têm fundamento único e exclusivo no fato de Cristo ter vivido, morrido, ressuscitado e subido aos céus. O apóstolo Paulo disse sobre isso: “E ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo”. (1Corintios 3.11)
Toda essa obra, chamada obra da redenção, é divina. Não há participação humana até esse ponto, senão, apenas após a ressurreição de Cristo. Tudo o que foi feito para que o homem pudesse ter comunhão com Deus, foi feito pelo próprio Deus. A Bíblia diz que, por causa do pecado, o homem foi afastado de sua comunhão com o Criador: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. (Romanos 3.23)
Se fomos afastados da glória, da comunhão e intimidade com o Senhor, é evidente que, em primeira mão, nós nada podemos fazer para que essa comunhão seja reatada. Se o homem pudesse fazer alguma coisa, teria feito antes, e há muito tempo estaríamos unidos.
Mas, como disse, tudo foi feito por Deus. Ele se interessou por nós primeiramente: “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Romanos 5.6), e “estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Efésios 2.5). E ainda “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3.16)
Veja que tudo parte de Deus, tudo tem início nele em nossa direção. Só depois de ele ter efetuado sua obra é que o homem pode entrar em cena.
A partir daí, da morte de Cristo, é que somos chamados a participar dessa obra para ter de volta o acesso àquela glória da qual havíamos sido “destituídos”. E a participação humana na obra de Deus, a aceitação ao chamado divino, é a porta de entrada para a salvação que a Bíblia anuncia deste o Antigo Testamento.


O Plano da Salvação

Os teólogos chamam a obra de Deus de Plano da Salvação. Assim, eles dividem essa obra em alguns pontos, a fim de facilitar a compreensão de cada detalhe tão importante nela apresentado. Assim, quando Deus nos dá o sei Filho, como está descrito em João 3.16, para que creiamos nele, ele nos dá sem cobrar nada. Ele envia Cristo ao mundo sem se importar se alguém o aceitará ou não.
É evidente que em sua onisciência ele sabe que milhares crerão. Mas como ele é Deus, quer propor essa possibilidade ao homem, independente de o homem aceitar ou não. Deus nos ama, e isso atende às suas próprias exigências do seu amor; não importa se nós o amamos também. Ele nos ama, e por isso nos dá gratuitamente seu Filho Jesus. Isso é o que chamamos “graça”. Ele dá sem nada cobrar; é de graça. Em outras palavras, graça é o favor de Deus, é o favor que não merecemos, pois pecamos. Graça é favor imerecido.
Lemos há pouco, em Efésios 2.5, que somos salvos pela graça. O favor de Deus é que gera a nossa salvação. Mas em seguida ao favor de Deus existe a participação humana, a nossa resposta positiva ou negativa ao que Deus fez. Podemos recusar o que Deus fez, rejeitando o chamado, o convite à salvação. Mas também podemos aceitar que a morte de Cristo tem como objetivo salvar minha alma de estar afastada eternamente de Deus.
Assim, a nossa participação já não é chamada de graça. Graça é o que Deus faz. Nós participamos da salvação através da “fé”: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”. (Efésios 2.8)
O apóstolo afirma aqui que a salvação vem de Deus (pela graça sois salvos), e tem a participação humana (por meio da fé). Primeiramente Deus prepara o dom, o favor, depois nos apropriamos dele por intermédio da fé, ou seja, usamos a nossa fé para ter acesso ao que Deus quer nos dar.
Observe ainda que novamente Paulo afirma que a salvação é um presente (um dom) de Deus para o homem.
Quando um ensinamento bíblico é apresentado de forma exaustiva e convincente, chamamos esse ensino de doutrina. Doutrina bíblica é o conjunto de textos sagrados, não isolados em seu sentido, que formam o fundamento ou a base de um ensino geral sobre determinado assunto.

Renovação espiritual

A doutrina da salvação é apresentada na Bíblia de forma clara e eficiente. É verdade que não tenho aqui espaço para apresentar todo o Plano da Salvação. Seriam necessárias mais páginas, pois há muitos aspectos. Há o aspecto da substituição, da justificação, do arrependimento, da conversão, do crescimento espiritual, da santificação, glorificação. Enfim, há muitos ensinos agregados ao Plano da Salvação.
Mas considere, ainda, uma questão: O que diz respeito à salvação? Ou, de que se ocupa a doutrina da Salvação? Basicamente de duas coisas: 1) de apresentar elementos e ferramentas que afastem o pecado humano que faz separação entre ele e Deus; e 2) propor uma nova vida de vitória entre Deus e o homem salvo.
“Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”. (Romanos 8.1) Essa afirmação de Paulo expressa a espiritualidade do assunto em pauta. É uma obra espiritual, que visa o espírito e a alma do homem. É uma obra interior e completa, realizada no interior do homem, em seu coração e em sua mente. Em outra passagem Paulo diz para renovarmos nossos pensamentos, renovarmos aquilo que vai dentro de nossa mente: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento [vossa mente]”. (Romanos 12.2)
Assim, o “arrependimento” é o que o homem faz para conseguir de graça o perdão de Deus. A fé na obra de Cristo morto na cruz leva-nos a arrepender-nos de nossos pecados. O arrependimento traz o perdão de Deus e esse perdão derruba a barreira de separação entre nós e o Criador.
De que devemos nos arrepender? De ter ignorado e rejeitado o cuidado de Deus para conosco. De ter nos afastado de Deus enquanto Ele queria aproximar-se de nós. De tê-lo rejeitado e, seguindo nossos próprios desejos, ter vivido uma vida de pecado aos olhos dele.
Depois disso, juntos, o homem e o seu Salvador, devem andar juntos para que nós cresçamos espiritualmente. Ou, nas palavras de Paulo, transformemo-nos pela renovação da nossa mente. Hebreus também diz assim: “Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos”. (Hebreus 6.9)
O escritor estava falando que os cristãos deviam crescer espiritualmente, e não ficar apenas agindo e pensando como crianças na fé. Deviam deixar a doutrina de arrependimento, batismo e conversão, pois isso era coisa para novos-convertidos. Eles, pelo tempo que estavam na igreja, deviam ocupar-se de coisas mais maduras, mais fortes, mais elevadas. Coisas que acompanham a salvação.


As diferenças básicas

Por isso entendemos que, pelo que lemos até aqui, a salvação é uma obra que acontece no mundo invisível, e que nós sentimos em nossa vida porque andamos em espírito, e não mais segundo a carne. (Romanos 8.1)
Mas o homem, falho que é, gosta sempre de acrescentar algo ao que Deus fez. Foi assim no jardim do Éden. Foi assim na saída do Egito. É assim até hoje. Você leitor acompanhou passagens importantes que descrevem o que a Bíblia apresenta ao homem para que ele creia e seja salvo. Notou, também, que se trata de uma obra riquíssima, valiosíssima, e ainda há detalhes tão belos que não caberiam aqui se fossem apresentados. Obra digna de um Deus Criador como é o Deus da Bíblia.
Mas o que vemos em muitas igrejas é exatamente o que Jesus viu no tempo em que andou entre os homens: líderes impondo aos mais fracos o “seu próprio plano da salvação”. Isso mesmo, homens, líderes de grandes e pequenas igrejas, adotando seu próprio plano de salvação.
Com isso, cometem absurdos em nome da Bíblia, de Cristo e do cristianismo. Ao invés de apresentarem o que a Bíblia expõe com clareza e simplicidade, complicam a entrada dos homens ao Reino de Deus. Há dois mil anos Jesus já disse aos fariseus hipócritas: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus, e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando”. (Mateus 23.13)
Qualquer outra condição apresentada para a salvação é herética. Isso mesmo: herética. Tudo aquilo que o homem apresentar como condição para entrada no céu, que não seja a graça de Deus e a nossa fé e arrependimento, deve ser considerado um falso ensino.
Há religiões que ensinam a necessidade das boas obras. Mas a Bíblia diz que boas obras não salvam: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. (Efésios 2.8 e 9)
Paulo é claro quanto a isso: Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Senão alguém poderia dizer: eu mereço a salvação, pois fiz isso e aquilo. Mas não, o mérito é de Deus. É graça mais fé.
Outros segmentos do cristianismo ensinam, ainda, que é necessário pertencer a essa ou àquela igreja. Alguns apóstolos de Jesus também pensavam assim: “E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue”. (Marcos 9.38) Mas Jesus os censurou dizendo: “Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim”. (Marcos 9.39)
Novamente cabe aqui o que disse há pouco: é por graça e fé, e não por pertencer a essa ou àquela denominação.
Há, ainda, um grupo que causa danos profundos. São os que usam “uniformes evangélicos”. Esses impõem a seus fiéis que devam adotar determinado tipo de traje a fim de alcançarem o Reino dos Céus! Para isso, fazem uso distorcido de uma famosa passagem da Bíblia. Sua idéia é padronizar os crentes, fazendo-os usarem todos o mesmo tipo de vestimentas como prova de unidade em Cristo, como evidência de uma só fé, um só pensamento, um só espírito.
Vejamos, primeiramente, qual o texto bíblico é usado por essas pessoas para defenderem sua posição de que, principalmente as mulheres devem usar determinado tipo de traje: “O enfeite delas não seja exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestidos”. (1Pedro 3.3) Pasmem! Com esse texto bíblico, alguns líderes ensinam que as mulheres não podem usar, por exemplo, calças.
Mas o que Pedro está dizendo é exatamente o contrário: “O enfeite delas NÃO SEJA”, e em seguida afirma “na compostura de vestidos”. Pedro diz que não use vestido para se enfeitar. Não use vestidos!
Mas o que diz o contexto? “Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos; Como Sara obedecia a Abraão” (vv. 5 e 6)
Veja o que Pedro afirma: que Sara, a esposa do pai da fé, usava, SIM, enfeites exteriores, como cabelos frisados (bem arrumados), jóias de ouro (colares, pulseiras, anéis etc.) e vestidos bem compostos! E o que Pedro diz no versículo seguinte é que Sara conquistava seu marido, não por sua aparência exterior, antes, pelo que apresentava interiormente, como mulher de fé, temente a Deus.
O que Pedro, e, por conseguinte a Bíblia, estão defendendo, é que a mulher tenha como prioridade um espírito manso, que dê testemunho de que é cristã honesta, que entenda a sua posição diante de Deus, da sociedade e de seu marido e sua família.
Não há nesta passagem nenhuma indicação ou proibição ao uso de enfeites; antes, o que o apóstolo defende é que a mulher poder usar seus enfeites exteriores, mas que saiba que o mais importante é o enfeite interior, no espírito manso e quieto, humilde e santo.
Infelizmente os que aceitam essa imposição de seus líderes nem sequer lêem a Bíblia para confirmar se o que se diz é ou não correto. Por isso, tomam para si uma carga desnecessária e em alguns casos, inclusive, ridicularizam o Evangelho de Nosso Senhor, expondo um cristianismo mesquinho, machista e hipócrita. Com isso, deixam de expor a beleza, a riqueza e a grandeza dessa obra divina que conduz o homem aos pés da cruz para que seja perdoado e salvo.


Conclusão

Muitas coisas poderiam, ainda, ser ditas aqui. Mas por enquanto acredito que isso seja suficiente. A Bíblia mostra a maneira como Cristo tratou os pecadores, almoçando com eles, indo a casa deles e conversando, travando relacionamentos sinceros.
Evidentemente ele não concordou com o pecado, mas amou o pecador e demonstrou esse amor.
Semelhantemente Paulo, ao pregar aos gentios, não é mostrado na Bíblia quebrando altares de deuses desconhecidos, mas apresentando aos homens o Deus que eles desconheciam.
Uma vez ouvi alguém me dizer que não deveria falar mal dos outros deuses, mas exaltar as infinitas virtudes que o meu Deus tem. É verdade; há coisas que Deus faz em nosso meio que as pessoas aí fora sequer imaginam. Isso deve aparecer.
Mas ao longo de nossa caminhada parece que queremos cuidar apenas de nós mesmos e nos esquecemos de que há pessoas querendo entrar no Reino. Para que elas possam entrar, precisamos limpar a porta e deixá-la aberta. Não adianta limpar a entrada e fechá-la. Por isso, estou certo de que devemos separar o que é bíblico do que é puramente humano, e ensinar o que Cristo pregou, a fim de ver as pessoas alegres pela grandiosa obra que Deus faz em nosso meio e pode fazer a elas também.


Pregador Alexandre Pitante

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