23 de abril de 2010

Apologética Cristã

por Cláudio Rogério


Para fundamentar nosso entendimento sobre a caminhada histórica da apologética cristã, citaremos o texto de 1 Pedro 3.15-16 onde lemos: "...estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós. Tende uma boa consciência, para que, naquilo que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom procedimento em Cristo". A partir deste versículo, podemos deduzir que o papel da apologética é procurar servir a Deus e a igreja, ajudando os crentes a cumprirem o mandamento exigido nesta passagem, que pede a todos que saibam como "responder" quais são as razões da sua fé. É bom observar que a palavra responder, usada por Pedro no versículo 15, é uma tradução da palavra grega "apologian" — apologia. Desta forma, em uma visão inicial, a apologética deve ser uma obrigação e prática de todos os cristãos.

Desde o seu nascimento, o cristianismo sempre teve um caráter apologético. A primeira mensagem pregada por Pedro, em Atos 2, foi resposta a questionamentos feitos quanto ao comportamento dos discípulos. Muitos dos livros e epístolas da Bíblia foram escritos também com a finalidade de defenderem a fé e de consertar os desvios.

A partir do século 2, no período que chamamos de a "Época dos Pais da Igreja", diante da perseguição e do martírio, houve a necessidade de se escrever defesas para a fé cristã, a fim de dissipar falsas acusações que circulavam, tanto entre o povo comum como entre as autoridades, bem como rebater os ataques do judaísmo, do helenismo e das heresias. Historicamente denominamos estes primeiros defensores da fé de apologistas, pois procuramos lançar mão da filosofia e da argumentação racional para demonstrar a inocência dos cristãos, bem como conseguir o favor das autoridades públicas e acima de tudo provar o valor da religião cristã. Possivelmente, a mais antiga das apologias que se tem conhecimento é o "Discurso a Diagneto", cujo autor, talvez Quadratus, a escreveu para defender o cristianismo dos abusos do estado romano e na esperança de se obter melhor tratamento para os cristãos. Contudo, o mais conhecido dos apologistas é certamente Justino Mártir, que endereça sua apologia a Adriano e a Marco Aurélio. Arrazoava de que a filosofia grega, apesar de útil, era incompleta, sendo terminada, aperfeiçoada e suplantada em Cristo e pela Bíblia. A filosofia grega teve simplesmente o mesmo papel da lei judaica, ser a precursora de algo superior.

Sua principais obras foram duas "apologias", contra os pagãos, e um "diálogo com o judeu Trifão", contra os judeus. Deste período ainda poderíamos citar Aristides, Aristo, Atenágoras, Taciano, Tertuliano, Orígenes, Lactancio e Agostinho.


Contemporâneo a esta época dos apologistas, houve também o período dos controversistas, que eram aqueles que travaram as polêmicas contra os judeus e o paganismo, para defender o dogma cristão contra as heresias. Enquanto a apologia era a defesa contra os ataques externos à fé cristã, a polêmica era uma defesa em prol da pureza da fé contra os desvios que estavam acontecendo dentro da própria igreja.

A partir deste momento da história, estabelece-se este duplo entendimento em como defender a fé: de um lado temos a apologética, que é a defesa racional e utiliza-se da argumentação filosófica e especulativa da mente humana. Do outro lado temos a Evidência Cristã, cuja defesa e raciocínio fundamenta-se nas Escrituras, nas provas internas da Bíblia. O primeiro é direcionado aqueles que não aceitam a revelação de Deus ao homem, que não crêem. O outro é voltado aos que aceitam a revelação, mas fazem uma interpretação errada da mesma, caindo em heresias.
Daremos em nossos artigos uma interpretação ampla da palavra apologética, que será emprega sempre para significar defesa da fé cristã, tanto contra aqueles que nos atacam externamente e exigem um discurso racional, como diante dos desvios observados dentro da própria comunidade que se denomina cristã, mas que possui práticas heréticas.

Após estas considerações conceituais sobre o entendimento histórico do que foi e do que é a apologética, gostaria de estabelecer abaixo três distinções sobre qual é o seu papel e o seu valor para o cristianismo que professamos hoje:

Primeiramente, a apologética traz consigo o sentido de "prova". E como tal é a apresentação de uma base racional para a fé com a finalidade de provar que o cristianismo é verdadeiro. Jesus e os apóstolos freqüentemente ofereciam evidências aqueles que tinham dificuldades de crer que o Evangelho era a verdade. (Veja João 14.11; 20.24-31 e 1 Coríntios 15.1-11). Até mesmo os crentes que são fiéis duvidam algumas vezes, e neste momento a apologética se torna muito útil para eles, pois justifica em suas próprias mentes e corações as razões da sua fé.

Em segundo lugar, a apologética é uma "defesa", que tem como objetivo responder as objeções dos não crentes. Paulo descreve sua missão como "defesa e confirmação do Evangelho" (Efésios 1.7). Confirmação pode se referir ao tópico primeiro, abordado acima, mas defesa é especificamente voltado para responder os questionamentos e ataques daqueles que não conhecem o Senhor. Faça um estudo dos escritos de Paulo e chegarás à conclusão de que muito do que ele escreveu tem uma tônica apologética. As própria mensagens pregadas por Jesus foram, em um certo sentido, uma resposta aos críticos e contras do seu ministério.

Em terceiro, a apologética é um "ataque". Devemos entender que a nossa missão não é só de defesa, de responder às objeções, mas de marchar contra os portões do inferno, pois eles não resistirão ao nosso ataque. Paulo nos diz que através das poderosas armas que possuímos é possível destruir o conselhos e toda a argumentação que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levarmos cativo todo o pensamento à obediência de Cristo (2 Coríntios 10.5).

Concluímos afirmando que todo cristão tem um compromisso com a defesa e divulgação da Verdade. Nós temos o que dizer para esta geração perdida e confusa, pois temos Jesus, a resposta de Deus, dentro do nosso coração. Neste sentido, gostaríamos de conscientizá-lo de que você, como servo do Senhor, é um apologista; e como tal Deus lhe pede que te prepares adequadamente, orando e estudando, para uma missão específica.

3 comentários:

  1. Graça e paz,
    ja estamos te seguido, parabens pelo blog
    Abraços

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  2. Muito Obrigado pela visita meu Irmão.

    Já estou lhe seguindo!

    Que Deus possa lhe Abençoar!

    Paz.

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  3. Os primeiros cristãos seguiam de uma forma muito literal os ensinos de Jesus. As seguintes são passagens dele e outros escritores na igreja primitiva sobre mais do 100 temas diferentes. http://www.aigrejaprimitiva.com/dicionario/dicionario.html

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