17 de maio de 2010

O Crente e o Fruto do Espírito Gl 5.19-23

Gálatas 5.19-23 “Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e lascívia, idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissenções, facções e inveja; bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, que como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei."


Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito Santo e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que o texto de Gálatas 5.19-23. Paulo não somente examina a diferença geral do modo de vida desses dois tipos, ao enfatizar que o Espírito e a carne estão em conflito entre si., mas também inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito.


OBRAS DA CARNE. “Carne” (Gr. sarx) é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no ser humano mesmo após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal (Rm 8.6-8,13; Gl 5.17,21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (Gl 5.21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser revestida e mortificada num guerra espiritutal contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14).


As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, isto é, não herdará a salvação (1Co 6.9). Paulo declara que a conseqüência habitual do pecado espiritual é a morte espiritual, até mesmo para o cristão (Rm 8.13). Ninguém poderá viver na imoralidade e ao mesmo tempo herdar o reino de Deus (Rm 6.16; Tg 1.15). A advertência do apóstolo Paulo é para todos os cristãos. A salvação sem a obra regeneradora e santificadora do Espírito Santo não tem lugar na Palavra de Deus.


O FRUTO DO ESPÍRITO. Em contraste com as obras da carne, temos um modo de viver íntegro e honesto que a Bíblia chama de “fruto do Espírito”. Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus (2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl 3.12-15; 2Pe 1.4-9). O fruto do Espírito inclúi:


1. Amor (gr. agape), i.e., o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).




2. Alegria (gr. chara), i.e., a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo (Sl 119.16; 2Co 6.10; 12.9; 1Pe 1.8; Fp 4.4).


3. Paz (gr. eirene), i.e., a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem porque o Pai celestial nunca irá desamparar seus filhos (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20).


4. Paciência (gr. makrothumia), i.e., perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10; Hb 12.1).


5. Benignidade (gr. chrestotes), i.e., não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3).


6. Bondade (gr. agathosune), i.e., zelo pela verdade e pela retidão., e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13).


7. Fé (gr. pistis), i.e, lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7; Tt 2.10).


8. Mansidão (gr. prautes), i.e., moderação, associada à força e a coragem; descreve alguém que pode irar-se com justiça quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (2Tm 2.25; 1Pe 3.15).


9. Domínio próprio (gr. egkrateia), i.e., o controle ou o domínio sobre nosso próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais, também a purza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5).
O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente pode – e realmente deve – praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.
Por fim, todo o cristão que deseja frutificar no Espírito deve estar em verdadeira comunhão com Deus, alimentando sua vida espiritual a cada dia (Lc 13.6-9; Jo 15.5).


Deus te abençoe, Alexandre Pitante.

Um comentário:

  1. Amado Alexandre,

    Esta é uma das mais belas passagens da Escritura, onde nós (terrenos) somos contrastados com o Senhor (dos céus). O fruto de nossas obras, com o fruto da obra do Senhor.

    Mas creio que nenhum de nós pode viver o fruto do Espírito na sua própria força. Esse fruto, realmente é produzido em nós pelo Espírito de Cristo, que milita contra a nossa carne (Gl 5.17) e, como você disse, isto depende de nossa intimidade, comunhão, com o Senhor. Se tentarmos andar em qualquer uma dessas virtudes do fruto do Espírito, na nossa própria força, não conseguiremos, pois nenhuma delas está, originalmente, no nosso coração. Então, o resultado será desastroso e terá uma aparência de hipocrisia.

    E a Palavra nos recomenda: "o amor seja sem hipocrisia". Ele (o amor) é um dom de Deus e, portanto, nunca poderá ser hipócrita, a não ser que seja produzido por nós mesmos. Assim, o que temos que fazer é pedir, constantemente, que o Espírito Santo produza esse maravilhoso fruto em nós. E, uma vez produzido, que nós não nos afastemos dele e o pratiquemos com todos.

    Que a Paz do Senhor Jesus continue com você, sua família e seus leitores!

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