29 de maio de 2010

Sandálias da humildade

por Enoque Nogueira

Em certa feita, um amigo de ministério chamou-me a um canto logo após um evento que eu dirigira Onde Deus operou abundantemente com a Sua Graça e me disse: Enoque, você é um falso humilde. Confesso que fiquei arrasado; parecia que um mundo desabou sobre mim, tamanha era a minha tristeza.

Por um tempo fiquei a meditar nas hipóteses que levariam o meu amigo falar aquilo comigo. Não consegui entender; também não me achava um falso humilde. Talvez naquele dia ele tivesse lido “As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Cl 2.23). Hoje, se ele voltar a falar comigo a mesma coisa, vou entender que sou aos olhos dele, orgulhoso, convencido, irreverente e insubmisso.


Talvez o meu amigo quisesse dizer que não era possível Deus me usar de forma fervorosa sem que eu me ensoberbecesse e então, eu mantinha uma forjada aparência exterior de humildade para ter espaço dentro de uma sociedade eclesiástica. O que estava acontecendo para ele, em sua “verdade” era a exteriorização de uma virtude confundida com possível a farsa de uma representação.

Hoje, ao ver uma dupla de pessoas famosas tentando forçar alguém a calçar as sandálias da humildade, lembro-me do mal que causei a um amigo bem próximo por deixar aos seus sentimentos, transparecer a falta de humildade. As diferenças são ou podem ser mínimas, ou apenas de ponto de vista de quem está em posição não congruente.

Para os cristãos a humildade é um princípio e não uma escolha. É para fazer parte das características intrínsecas de cada um. É uma das mais importantes virtudes que um cristão pode ter. Quando Pedro diz: “Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pe 5.5), está dizendo que os soberbos não têm a Graça de Deus.

A humildade vai à frente da honra, (Pv 15.33). Muitas vezes queremos a honra sem humildade. Isto não é possível nem quando se usa a força. A honra é dada pelo coração, tem que sair de dentro de um coração sincero. Posições de destaque, fama, dinheiro e poder não são elementos que garantam a alguém ser honrado. Uma coisa é a honra outra é a manifestação honrosa por decreto.

Modéstia é um dos significados de humildade. Jesus foi um autêntico exemplo disto, como podemos ver no episódio de Sua captura ao ser traído por Judas. O Diácono Orlando Ferreira da Silva Filho, que trabalha comigo na Plataforma de Enchova, comentava a respeito do beijo que serviu para identificar a Jesus. Comentava o valoroso obreiro: Se Jesus tivesse uma vida com característica contrária à forma humilde, certamente seria conhecido pelos soldados que o prenderam, não havendo em necessidade de identificação pelo traidor, (Mt 26.48), mas por uma forma de vida destacada.

A humildade é parceira do obreiro, (At 20.19). Uma das coisas mais esquisitas que pode existir é um evangelista arrogante; um cantor orgulhoso; um testemunhante vaidoso. A humildade é um elemento vital para que possamos resistir aos mais fracos, (Ef 4.2); se revestidos de humildade teremos consciência de que somos menores do que o nosso semelhante, como disse Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Fl 2.3). Como eleitos santos e amados de Cristo e como tais, devemos acrescentar a outras qualidades a humildade, (Cl 3.12).

Os soberbos estão fora do plano de Deus. Os humildes estão debaixo de Sua Graça, (1Pe 5.5).

Eu dependo da graça de Deus.

2 comentários:

  1. Isso aconteceu com vc mesmo.. affs, que trágico.. x(...

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  2. Caro, Calebe.

    A paz do Senhor!

    Não! Isso não aconteceu comigo. E sim com o Pr. Enoque Nogueira, o autor da postagem.

    Abraço em Cristo, Alexandre Pitante.

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