13 de julho de 2010

O sofrimento do Justo à caminho da Vitória

Os três dias mais difíceis da vida de Abraão foi quando esteve de viagem ao monte Moriá.


por Alexandre Pitante


Gn. 22.3 “Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera”.
Gn. 22.4 “Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe”.

Entre os versículos três e quatro do texto sagrado, é omitido o período de três dias de caminhada do nosso pai da Fé Abraão.

Este homem que é lembrado por todas as três maiores religiões hoje existente foi provado por Deus em oferecer o seu filho em holocausto ao Senhor.

Eu fico tentando imaginar como foram caminhar estes três dias com o filho que teria que imolar em holocausto no monte Moriá? Eu penso que não foi muito fácil! E como não foi...

Como não estávamos lá e a bíblia omite esses dias de caminhada até o monte, o que podemos fazer é pensar e conjecturar. Então pense comigo:

Quem sabe no primeiro dia de caminhada Isaque, que já não era mais um menino e sim um rapaz de uns 23 a 26 anos, vinha conversando com os serviçais devido à intimidade que tinha com os tais, e o velho Abraão apreensivo, sem conversar e sem dizer sequer uma palavra neste primeiro dia de viagem.

A noite chega e Isaque percebeu que o pai estava diferente, do que costuma estar, e pergunta não ao pai porque tinha muito respeito por ele, mas aos serviçais: - O que o pai tem? Ele não costuma ser assim!

Os servos respondem dizendo: Ele esta assim desde que saímos hoje de casa pela manhã.

Isaque diz: - Mas porque estar triste num momento tão feliz como esse. Estamos indo oferecer um sacrifício ao Senhor e isso é maravilho. Não é momento pra tristeza. Mal sabia ele o que o esperava e o porquê seu pai estava com o semblante triste.

No segundo dia, acordam cedo e começam a caminhada novamente. E o semblante de Abraão continua o mesmo, sem dizer uma palavra desde quando saíram de sua casa.

Sabe aqueles momentos que estamos aflitos, angustiados e queremos evitar conversas para não nos afligirmos mais. Porque sabemos que em momentos como esse quanto mais falarmos ou tocamos no assunto, mais ficamos aflitos. Pois é... Era deste jeito que Abraão se encontrava, queria evitar conversa com o seu filho e com os serviçais. Quem o observava via que suas emoções estavam estampadas no seu semblante triste e apreensivo. Mas por dentro estava bem pior. Por uma lado Abraão estava com o coração apertado e com a alma angustiada, por outro o desejo de um verdadeiro adorador o impulsionava ir até o fim com aquele sacrifício.

A noite do segundo dia chega e o filho não agüentou e se aproximou do pai e perguntou: - Pai, porque o senhor não conversa? Desde quando saímos de casa o senhor nem se pronunciou. Só disse para onde iríamos e nada mais.

Quem sabe naquele momento corre lagrimas dos olhos do patriarca Abraão, pois só ele sabia o que o Senhor Deus o tinha pedido por oferta. Mas mesmo com lagrimas nos olhos disse: - Não é nada meu filho, não é nada. Depois você saberá o por que. Depois...

Agora, sejamos racionais diante desta conjectura. Você acha que exagerei dizendo que Abraão ficou triste nesta caminhada de três dias? Penso que não! Abraão era um ser humano como eu e você e não um super crente. E o que Deus pediu de Abraão em holocausto não foi o seu cachorrinho de estimação, e sim o seu filho, que Deus o chama de “único” filho, pois este era o filho da promessa.

O que Deus queria mostrar para Abraão e também pra nós hoje é que Ele tem que ter a primazia em nossas vidas e ocupar o primeiro lugar no nosso coração. E colocar o Senhor como primazia na nossa vida é sinônimo de renuncia. E muitas vezes isso acarretará muita dor no fundo do nosso coração.

Quando Abraão ouviu do Deus vivo que teria que oferecer o seu filho em holocausto foi como uma facada no seu coração, pois a bíblia diz que Abraão amava muito Isaque. Ele poderia ter dito a Deus: Mas, o Senhor me prometeu que através dele eu seria pai de uma grande nação e agora o Senhor o pedi em sacrifício. Porém, Abraão não questionou o Senhor, mesmo que isso seria muito dolorido pra ele.

Todos nós temos uma Moriá, um lugar que eu chamo de “lugar de renuncia”, onde levamos o que amamos em holocausto.

Renuncia é uma palavra fácil de pronunciar, porém muito difícil de viver. O mais difícil que eu vejo neste texto não foi propriamente o monte Moriá, mas sim o caminho até o monte. Principalmente quando chegamos na metade deste caminho, é neste momento que o inimigo sopra a nossa mente: “Volta ainda esta em tempo. Desiste disso. Pra que fazer isso”.

Entretanto, o Espírito Santo também diz ao nosso coração: “Continua, só falta à metade da caminhada. Você vai conseguir! Eu estou ao seu lado te ajudando.”

Quem sabe você esta vivendo isto que Abraão viveu não sua vida, tendo que renunciar amigos, bens, emprego, até mesmo filhos por causa da obra do Senhor e de Sua Vontade.

E da mesma forma que só conjecturamos sobre estes três dias de caminhada, porque não sabemos o que de fato aconteceu, pois a bíblia nos omite. Assim também está a sua vida, só Deus sabe o que esta ocorrendo nesta difícil caminha de renuncia.

Mas não desista da caminhada. Os três dias mais difíceis da vida de Abraão com certeza foram estes, porém no monte Moriá foi onde ele experimentou uma das maiores experiências que Deus o fez passar.

Creia que depois desta difícil caminhada até o monte Moriá Deus tem um grande livramento e uma enorme experiência pra você. No nome de Jesus!

Um comentário:

  1. Alexandre.

    Muito significativo o seu texto.Ele me levou a refletir em muitas coisas da minha vida, que precisam ser levadas ao "monte", sabendo que Deus sempre proverá daquilo que há de melhor para as nossas vidas.
    Fique na Paz.
    Heliane

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