11 de julho de 2010

A Síndrome de Caim


Então disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará. (Gn. 4.13-14).

O Promotor de Justiça Criminal de São Paulo, presente no momento em que a jovem Suzane confessou sua participação no assassinato dos pais, no bairro do Brooklin, ao ser questionado pelos repórteres sobre a reação dela, destacou o seguinte:

Eu estava presente em todos os interrogatórios. Quando confessou, demonstrou preocupação com o que pudesse acontecer com ela, falou que era uma pessoa má e que desejava que o tempo voltasse atrás. Logo se recompôs e voltou a mostrar sua personalidade?

Na confissão desta jovem, num crime recente que chocou o país, encontramos um dos princípios que tem norteado a descendência de Caim desde o início da raça humana: mesmo após a confrontação não há arrependimento, apenas o medo do castigo, das conseqüências que por certo virão, do preço a ser pago pelo pecado.

Caim, quando confrontado pelo Senhor, logo após ter matado Abel, limitou-se a desconversar como se diante do Criador isso fosse possível. Acaso eu sou responsável por Abel? Sou eu o tutor do meu irmão? (Gn. 4.9).

Em momento algum demonstrou arrependimento. Suas próximas palavras foram de temor pelo castigo em conseqüência do mal que tinha acabado de praticar.

O endurecimento do coração humano nestes tempos que antecedem a volta de Jesus já havia sido profetizado por Ele mesmo:

Quando vier o Filho do homem, achará porventura fé na terra? (Lc. 18:8).

Percebemos hoje na pregação do Evangelho muito pouco arrependimento pelos pecados, pela vida contrária aos padrões da palavra de Deus. Parece que grande parte das manifestações de fé tem se resumido ao medo do castigo e das conseqüências de atitudes pecaminosas.

A síndrome de Caim contrasta visivelmente com os frutos do verdadeiro evangelho de Jesus percebido na conversão de Zaqueu:

Zaqueu era chefe dos publicanos e rico. Procurava ver a Jesus mas não conseguia por causa de sua pequena estatura. Tendo subido à uma árvore para vê-lo passar foi por ele percebido e convidado a lhe oferecer hospedagem.

Ao receber Jesus em casa mostrou os frutos do verdadeiro arrependimento: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho roubado alguém, restituo quatro vezes mais. A reação de Jesus não deixou dúvidas quanto ao que havia acabado de acontecer: “Hoje, houve salvação nesta casa”. (Lc. 19.1-10).

Interessante a conversão de Zaqueu em relação à maioria das conversões que vemos hoje. A conversão legítima operada pelo Espírito Santo tem como primeira preocupação “restituir”. A falsa conversão, caracterizada apenas pelo medo do castigo, tem como única preocupação “ser restituído”. Visa o eu, e não o Reino.

Menos interessante foi a reprimenda de Jesus aos escribas e fariseus - quando lhe pediram um sinal e estendida a nós, igreja do século XXI:

Ninivítas se levantarão no juízo contra esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas. (Mt. 12.41).

Que vivamos o verdadeito arrependimento em nossas vidas e se tivermos que viver com alguma síndrome, que seja com a “Síndrome de Abel”, do verdadeiro Adorador. Aquele que se preocupa em oferecer ao Senhor o que Ele quer receber e não o que nós queremos ofertar, como foi Caim o fez.

Nele,
Alexandre Pitante.

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