6 de setembro de 2010

Ortodoxia e Cultura




por João A. de Souza Filho

A sã doutrina apostólica a que os apóstolos se referem e que Lucas menciona logo no início do livro de Atos 2.42 pautou a vida da igreja nos primeiros séculos. O didaskalós apostólico que a igreja seguia fielmente não tem a ver com cultura, mas com estilo de vida. Um estilo de vida que mudou a cultura da sociedade daqueles dias. A igreja adotou um estilo de vida que impactou a sociedade do primeiro século.

Pastores há que se preocupam demasiadamente com usos e costumes, como uso de saias, calças compridas, do uso de barba ou não, cabelos, jóias, enfeites, com a prática ou não de esportes como o futebol, com os ternos alinhados de domingo a noite, e estão esquecendo as principais doutrinas ou ensinamentos apostólicos que devem ser obedecidos.

Assim, fecham os olhos à prática de aborto na igreja; à prostituição, aos relacionamentos sexuais entre os namorados; aos divórcios, inclusive apoiando os novos casamentos de pessoas que eles mesmos casaram – e sei que este assunto requer estudo de caso a caso – não se preocupam com os membros que não pagam contas, que enganam, que mentem, etc. Deixam-se corromper pela maléfica política denominacional e se corrompem ainda mais facilmente com políticos corruptos; e causam uma péssima imagem da Igreja, ignorando que estão vituperando o nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Em certas denominações a ênfase é muito grande aos usos e costumes, enquanto a verdadeira sã doutrina vem sendo deixada de lado. Muitos pastores ainda se preocupam com a aparência de seus membros, e fecham os olhos para a necessidade de integralidade moral e aos pecados de todos os tipos.

Por que a cada dia sou mais ortodoxo? (Orto-reto). Mais fiel à sã doutrina de Cristo?

1. Porque creio na ressurreição dos mortos, e que, ao ressuscitar terei que dia comparecer perante o julgamento ou juízo de Cristo. Acredito que muitos pastores estão esquecendo que ressuscitarão um dia e que serão confrontados  por Jesus Cristo.

2. Porque creio que nesse dia do juízo terei de prestar contas de meus atos diante de Cristo. A ressurreição dos mortos me levará indiscutivelmente para o juízo eterno – fundamentos que estão bem claros em Hebreus 6.1. E o julgamento definirá meu galardão.

3. Porque creio que serei galardoado nos céus, e não quero, de maneira alguma perder meu galardão. Os que recebem seu galardão na terra não os receberão no céu! Surpresos perceberão que aqueles irmãozinhos por eles desprezados receberão galardão maior que o deles.

4. Porque terei que prestar contas a Jesus Cristo dos meus atos; terei que responder por muitas coisas, e entre essas, terei que prestar contas das pessoas que escandalizei e que deixaram de ser cristãos por causa do meu comportamento.

5. Porque meu compromisso com Cristo e sua doutrina é maior que quaisquer ideários terreais. Devo viver para Cristo e por Cristo, em primeiro lugar.

Por isso, não me corrompo com o sistema de que faço parte; nem tampouco enriqueci à custa do ministério. Chego aos sessenta e quatro anos de idade sem sequer ter um plano privado de saúde por não poder arcar com os custos; deixo de reimprimir certos livros porque, às vezes, prefiro doá-los aos necessitados a cobrar preços exorbitantes.

Mas, também sei que as igrejas que me convidam e não me honram com ofertas de amor responderão por seus atos, e não serão contempladas com a promessa de Jesus de receber o galardão de profetas, que consiste basicamente em serem agraciadas por Deus como ele faz com os profetas que ama!

Por isso, a cada dia meus músculos e ossos espirituais estão mais fortes, e meu espírito mais ousado, porque como Paulo olho para o futuro, para o prêmio que haverei de receber na eternidade. Minha inspiração vem do texto de Hebreus 11:

“Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra” (Hb 11.35-38).

***
João A. de Souza Filho é escritor e pastor com mais de 45 anos de ministério 

Um comentário:

  1. Parabéns pelo texto ele expões a triste realidade de muitas igrejas de hoje,e ainda traz edificação,muito bom.

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