25 de novembro de 2010

Os três ais de Gideão

por Alexandre Pitante

Texto: Juízes 6.11-24

Introdução

Gideão é sem duvida um dos personagens bíblicos mais conhecidos pelos cristãos, porém existem detalhes de sua vida muito interessantes para observarmos e extrairmos ricas lições.

Entre esses detalhes vou destacar nesta matéria o encontro de Gideão com o Anjo do Senhor, que no desenrolar desta conversa de Gideão com o Anjo, ele (Gideão) diz três vezes: - “Ai meu Senhor”. Em cada “Ai” se segue uma sequência de frases que justificam esses ais, nos mostrando uma conversa fascinante entre Gideão e o Senhor (observe que é uma Teofania).

Gideão quando inicia a conversa com o Senhor ele começa com uma expressão facial e termina com outra; começa com uma expressão verbal e termina com outra; começa um tipo de “Ai” e termina com outro tipo bem diferente do que começou; começa com uma visão equivocada do Senhor e terminha com outra.
Vejamos e analisamos os “ais” apresentados por Gideão:

1º Ai – Contestação. 
Gideão esta malhando o trigo no lagar quando o Anjo do Senhor lhe aparece e diz: - “o Senhor é contigo, homem valente” (v12). É a partir desta frase que Gideão diz o 1º ai seguido de suas contestações. Ele contestou três coisas de Deus, vejamos:

a) Presença de Deus  

Perceba que o Ai de Gideão é seguido da primeira contestação, ele diz: - “Se o Senhor é conosco porque nos sobreveio tudo isso” (v13). Ele contesta a presença de Deus, era como se estivesse dizendo: - se Senhor fosse conosco mesmo nós não estaríamos nesta miséria que estamos vivendo tendo que usar um lugar impróprio para malhar trigo, pois quem vai para a eira é morto pelos midianitas.

Gideão contesta a presença do Senhor, para ele o Senhor não estava com eles devido às circunstâncias que estavam se desenrolando sobre a nação, fome, guerra e muita opressão por parte dos midianitas fez com que Gideão se adaptasse as circunstâncias e contestasse a presença de Deus entre a nação.

b) Os feitos de Deus 

Na sua segunda frase ele contesta os feitos de Deus dizendo: - “E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito?” (v13b). Observe que Gideão não faz uma afirmação e sim uma pergunta, na minha concepção uma pergunta meio que irônica.

Gideão não tinha nenhuma experiência própria com o Senhor, ele vivia da experiência dos seus pais e antepassados. Por essa razão ele questionou os feitos de Deus. Ele não tinha tido nenhum contato especifico com Deus até aquele momento, a concepção que Gideão tinha do Senhor veio de seus pais.

Quantas pessoas estão assim na igreja? Que vivem da experiência dos pais, amigos e irmãos, que não têm um relacionamento intimo e pessoal com Deus. E, como somos altamente circunstânciais, na primeira prova que este (a) que não tem nenhum relacionamento pessoal com Deus e que vive da oração alheia, da experiência alheia, passa a questionar e contestar os feitos de Deus como Gideão. Isso e fruto da falta de relacionamento com Deus. Chegam a dizer: - o Senhor só faz na vida dos outros, só abençoa os outros e por aí vai...

c) A atualidade de Deus

Veja que depois de contestar a presença e os feitos de Deus ele termina contestando a atualidade do Senhor, dizendo: - “Porém, agora, o Senhor nos desamparou e nos entregou nas mãos dos midianitas.” Gideão na sua terceira contestação dá um tempo para sua frase, ele diz: agora, ou seja, hoje, na minha geração o Senhor nos esqueceu. Era como se ele dissesse que Deus fez maravilhas no passado, mas na geração dele Deus os abandonou a sorte, era isso que estava na mente de Gideão, porém nós sabemos que toda aquela provação provinha da desobediência da nação.

As reações de Gideão não me espantam, como eu disse, somos muito circunstanciais e diante de dificuldades se não tivermos uma vida inteiramente aos pés de Jesus contestamos sua contemporaneidade e, dizemos que Deus só fez no passado e não pode fazer nada por nós no presente.

Temos que entender uma coisa: que Gideão estava certo. Deus é um Deus do passado, mas, sobretudo é um Deus do presente e, além disso, do futuro. O que Gideão não sabia, é que o nosso Deus é Senhor do presente e também do futuro.

Observação
Gideão contestou a Deus por três vezes, estava totalmente desanimado diante de tantas intempéries que seu povo vivia, mas mesmo assim o Senhor o escolheu para livrar a Israel. Eu olho para os versículos doze e treze, e vejo um homem fraco incapaz para a função. Porém Deus via um homem forte, capaz de executar a função que o Senhor lhe daria, Deus vê o que o homem não pode enxergar devido suas limitações.
Gideão se mostrou um homem fraco em todos os sentidos, mas é neste momento que se cumpre a palavra que esta escrita: - “Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.” (Is 40.29)  

2º Ai – Incapacidade.   
No versículo quinze Gideão apresenta ao Anjo duas justificativas de incapaz para o cargo que Deus tinha para ele. “E ele lhe disse: Ai, meu Senhor meu! Com que livrarei a Israel? Eis que minha família é a mais pobre em Manasses, e eu, o menor na casa de meu pai.” (v15)

a) A família dele era pobre

Gosto muito de uma frase que diz: “quem quer fazer faz, quem não quer dá desculpa”. E foi o que Gideão fez, apresentou uma desculpa, colocando a responsabilidade em cima de sua família que era pobre. Como se Deus precisasse que alguém rico para Ele usar.

b) Ele era menor na casa do pai  

Para Gideão isso era uma desculpa, porém para o Senhor era um requisito. Deus queria mesmo que fosse o menor. O Senhor tem prazer em escolher os menores e incapazes, segundo diz Paulo:

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são.” (1Co 27,28)

Deus escolheu a Davi sendo o menor (1Sm 16.11-13); prosperou e abençoou a Jacó sendo este o menor (Gn 25.23); Jacó movido pelo Espírito de Deus abençoou o filho menor de José, a saber, Efraim (Gn 48.14,15).

Observação
Gideão era muito duvidoso e por isso pediu que o Anjo ficasse onde estava para que ele pudesse trazer uma oferta a Ele (Senhor). Interessante que nos versículos três e quatro do mesmo capitulo diz que em todo o Israel não tinha mantimento devido os ataques dos midianitas, porém Gideão apresenta ao Anjo um cabrito, bolos asmos, e um efa de farinha; agora me permita conjecturar, se não tinha mantimento em Israel da onde Gideão tirou essa comida? Creio que fosse as suas reservas para todo o tempo que durasse aquela guerra contra os adversários. E sabe a lição que aprendo com Gideão? É que todas as minhas reservas precisam ser do Senhor.

3º Ai – Constatação.
Se no primeiro “ai” Gideão contestou três coisas em Deus, agora neste terceiro ai ele constata que estava totalmente equivocado em suas convicções. Ele diz: - “Ai de mim, Senhor Deus! Pois vi o Anjo do Senhor face a face” (v22b), e edifica um altar ao Senhor naquele lugar (v24).

O que acho interessante neste texto é que a medida com que o encontro com o Anjo foi se desenrolando, ou seja, o relacionamento foi se estreitando, a visão de Gideão foi mudando principalmente depois da prova cabal quando o Anjo (Senhor) recebe a oferta apresentada por Gideão e o que ele havia contestado agora estava constatando:

a) de que Deus não era um Deus ausente e sim um Deus presente que esta sempre ao nosso lado, mesmo que venhamos a passar por adversidades lá está Ele nos confortando e ajudando.

b) de que Deus é um Deus Todo-Poderoso capaz de fazer qualquer maravilha e que seus feitos são inescusáveis, e seu poder é sobre tudo e todos.

c) de que Deus é um Deus eterno e de que o tempo não se aplica a esse Deus maravilhoso, pois ele é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente (Hb 13.8), pois Ele mesmo disse: Porque eu, o SENHOR, não mudo (Ml 4.6). Gideão constatou que o Senhor não era um Deus do passado, pelo contrário, o passado, presente e o futuro pertencem ao Senhor nosso Deus, o tempo esta sob seu controle. E Ele opera em todos os tempos, pois esta escrito: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? (Is 43.13)”
  
Conclusão

Do primeiro “Ai” para o terceiro a visão e a convicção que Gideão tinha do Senhor mudou, por quê? Porque Gideão teve um contato com o Senhor e teve a sua primeira e pessoal experiência com Deus e isso faz toda a diferença. Algumas pessoas servem ao senhor por ouvir falar como o caso de Gideão que tinha uma visão apresentada por seus pais e, com isso acabam contestando a Deus em certas circunstancias de suas vidas, mas na medida em que nossos relacionamentos com o Senhor se estreita nossas convicções vão mudando e fazemos como Gideão, queremos oferecer o nosso próprio sacrifício, o nosso próprio altar de holocausto ao Senhor.   

***
Alexandre Pitante  

2 comentários:

  1. Reflexão inspirada e inspiradora! Que o Senhor continue falando ao teu coração, e, através de ti, aos de muitos, como o fez em relação ao meu!

    Chazák veemáts (Sê forte e corajoso)! Teu trabalho não é vão no Senhor!

    Shalom!

    Rosh (Líder) Tiago Corrêa
    http://espirito-falante.blogspot.com
    http://www.moreshetyeshua.org.br

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  2. Excelente blog amado irmão. Deus continue abençoando grandemente sua vida e ministério.

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