22 de setembro de 2011

O inferno de Dante e o de Mary Baxter I


por João A. de Souza Filho

No livro As Divinas Revelações do Inferno Mary Baxter descreve as “revelações” que ela teve do inferno, quando o Senhor Jesus a tomou pela mão e lhe deu a missão de contar ao mundo como é o inferno. Confesso que cada pessoa que se diz arrebatada ao céu e ao inferno traz um relato diferente e às vezes contraditório um com o outro. Isso é até possível porque cada pessoa tem um insight (visão ou percepção) diferente da outra. No entanto o relato dessa autora é quase inacreditável. Seu guia pelas salas e dependências do inferno é Jesus que explica pra ela a razão e o porquê tal pessoa está em grande sofrimento.

Jesus mostra para ela as entranhas do inferno. A autora fala dos sofrimentos das pessoas e dos diálogos destas com Jesus, mostrando-se arrependida de ali estarem, pedindo misericórdia.
Bem – eu desconfiava de que anos atrás lera alguma coisa a respeito do inferno – e decidi reler aDivina Comédia de Dante Alighieri, conhecida como o inferno de Dante. Em minha análise percebi que a autora mencionada trocou o poeta Virgílio, que conduz Dante pelos vários círculos do inferno, por Jesus. Enquanto Dante relata os vários círculos aprofundados do inferno em que cada círculo tem buracos e poços onde jazem as almas dos pecadores sendo castigados pelos demônios, Mary Baxter fala a mesma coisa. Cita os poços, a forma de sofrimento das pessoas, tudo igualzinho ao inferno de Dante Alighieri. Às vezes muda o cenário, mas não ameniza os sofrimentos dos ímpios, tendo sempre ao seu lado o Senhor Jesus.

Assim, Virgílio, o poeta no inferno de Dante, que é quem conduz com segurança o autor italiano é trocado por Jesus, da autora Mary Baxter.

Não duvido da afirmação da autora de que Jesus queria que ela avisasse o mundo da realidade do inferno, afinal, Dante, que nasceu em 1265 e descreveu seu “inferno” ao redor de 1300 – tinha 35 anos de idade – e depois de tanto tempo haveria a necessidade de se escrever novamente para o público atual, dessa vez com o objetivo de alertar as novas gerações. Agora, é muita coincidência certas peculiaridades. O que afirma Mary é verdade ou ela usou as descrições de Dante para falar do inferno? Bem, se mentiu ou se falou a verdade, os leitores é que deverão julgá-la.

Não estou duvidando da experiência de Mary Baxter, nem afirmando ser mentira o que ela escreveu. O que quero afirmar é que se a experiência dela foi verdadeira, então Dante deve ter recebido de Deus uma revelação para descrever o inferno, porque um e outro descrevem cenas semelhantes. Agora, se ela plagiou o livro de Dante, então conseguiu criar uma ficção em cima de outra ficção, e deveria ter sido sincera com seus leitores. Porque eu também escrevi ficções em que sou o protagonista – e parece verdade! Mas, meus leitores sabem que é ficção.

Por outro lado Mary Baxter afirma ter sido a escolhida de Jesus. Durante trinta dias, todas as noites Jesus a levou para o inferno. Que privilégio a de Mary Baxter. E por que Jesus teria escolhido somente ela? Esta é uma pergunta que precisa ser respondida por ela mesma! Hum! Paulo que viu o céu jamais relatou o que lá viu!

Como escritor e não como julgador de Mary Baxter resolvi ler os dois livros e estudar entre eles as semelhanças. A descrição do inferno, seus círculos e buracos, o clamor das pessoas para que Plínio, o poeta, as livrassem do sofrimento e o pedid
o delas para que Dante avisasse os parentes dos que sofrem e que ficaram na terra evitando que viessem a sofrer como eles são quadros semelhantes aos descritos pela autora de As Divinas Revelações do Inferno.

Assim, o leitor tem opções e poderá ler a Divina Comédia ou o livro de Mary Baxter bastando trocar Plínio por Jesus; os círculos do inferno pelas pernas do inferno já que os buracos do inferno são semelhantes entre si. As mesmas súplicas que as almas penadas faziam a Plínio, o poeta, Mary Baxter cita-as como pedindo clemência a Jesus. A única diferença é que Dante, depois de deixar o inferno entra no purgatório onde as pessoas estão sendo purificadas para depois – conforme as rezas dos terreais – saírem dali para as mansões celestiais, o que os evangélicos não concordam. Outra diferença é que Mary Baxter preenche seu livro com textos bíblicos aludindo-os como sendo a fala de Jesus no inferno. Quer dizer, Jesus interpreta pra ela o sentido dos textos escatológicos. Afora esse detalhe, os dois infernos são praticamente iguais!

Até dos círculos do inferno apresentados por Dante, Mary fala com igual precisão.

Bem, se Jesus quisesse se aprofundar no tema para seus discípulos teria relatado para eles todas as profundezas do inferno, no entanto, deteve-se apenas em descrever o sofrimento do rico e o descanso de Lázaro no Hades.

Eis aí um bom tema para estudantes que precisam fazer teses de mestrado em literatura – e se alguém já os fez gostaria de os ler.

***
Pastor João Antônio de Souza Filho é escritor de vários livros e renomado pregador do evangelho


P.S.: Pastor João não afirma a veracidade ou não do livro escrito por Mary Baxter I e sim o compara com outro livro que é uma ficção.
Agora eu ALEXANDRE PITANTE acho uma verdadeira baboseira essa história de "Divina revelação do Inferno e do Céu", pois tal experiência é incongruente e anti-bíblica, (pois quem de fato teve experiência de subir ao terceiro céu não quis contar, pois dizia ser inefável revelar aos homens, 2Co 12.2,3). No brasil até teve um cidadão (.....de campos) que enganou muita gente e ganhou um dinheirinho vendendo suas fitas k7's com essa história de que no céu...

3 comentários:

  1. Nosso povo gosta de ser enganado com esses assuntos, não li a divina revelação do inferno, deve ser uma boa literatura para tanta pessoa ler, mas não deve passar disso. se é assim prefiro ler Crime e Castigo que ganho mais...

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  2. Acho melhor as pessoas lerem Dante! Muito boa crítica! Deus o abençoe!

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